segunda-feira, 20 de outubro de 2014

ouvir enquanto se vê. muito alto enquanto se olha.










Tel Aviv, dois mil e catorze.


















































wait

Send your dreams
Where nobody hides
Give your tears
To tide

No time
No time

There's no end
There is no goodbye
Disappear
With the night

No time
No time
No time

No time
No time
No time

M83

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Patrick Modiano


     recolhido em casa e não lido, exumado da terra dos meus mortos que me fazem viver. os livros não são papéis pintados com tinta. recolhem de nós toda a intimidade e fazem de mim a mais exigente parteira na hora de os ofertar aos amigos.

sábado, 11 de outubro de 2014

eternizar o instante.


 conheceram-se nas margens do rio de uma grande cidade. rodeados de turistas ávidos de provas fotográficas eternizadas em sorrisos forçados e observados pelas torres góticas da catedral elevada.  todos os dias se cruzavam no início da ponte, nos caminhos diferentes que percorriam. ela em direção a rive gauche. ele no seu contrário. vidas, decerto, bem diferentes mas despertas no mesmo ângulo de cruzamento de olhares, todos aos dias, às mesmas dez horas e meia. mesmo quando a rotina dos dias assim o não ditava, para não perderem a explosão apaixonada daquela troca de olhares diária, sem combinarem, àquela mesma hora das dez e trinta da manhã cruzavam-se. demoravam-se nesse cruzamento antes e depois por se perderem um no outro em pensamentos loucos e cada vez mais ousados. assim era com ela, assim foi com ele também. nunca ousaram, contudo, ir  além desse instante nem pensaram que o sentimento fosse tão recíproco quanto genuinamente apaixonado. 

     dez anos mais tarde, quando a idade a amadureceu e lhe deu a coragem que jamais imaginara conseguir ter, percebeu pela leitura durasiana todo esse enredo emocional fatigante que lhe deixou marcas profundas e que ainda hoje a não deixa, por vezes, dormir. 







  

terça-feira, 7 de outubro de 2014

a ousadia clara da partilha


comunicar com as palavras e os silêncios.


o princípio (da incerteza) do fim

      a tristeza que é ir partindo ou partir estando cá. o espírito sucumbir à matéria. a transformação lenta num outro. o espanto da irreconhecível figura que se lhe habita. o sofrimento de quem se vai desligando e de quem acompanha a partida. nada pode ser adquirido como eterno. valha a força da mão que ampara a viagem tornando-a mais doce, menos arrancada. 
      julho 2012. 

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

uma ajuda.

quando se atreverem na escolha da arte sonora relevante na vida de anna, não é preciso inventar.
a vida é tão simples.