quarta-feira, 21 de maio de 2014

surpresas que nos elevam

      adoro surpresas. boas, pois está claro. invisto nelas uma grande parte da minha energia a interiorizá-las para que passem ao meu ADN e não se percam. as surpresas boas que me aconteceram ao longo da vida nunca me defraudaram e se isso, por acaso, acontecer, facilmente transportam-se por intuição para outro patamar, mais baixo, escondido, esfumado e deixam nessa viagem descendente de me pertencer. sou a favor de guardar tudo o que é bom e tentar esquecer o menos bom. tenho conseguido isto com a maior das facilidades e por isso considero-me uma pessoa verdadeiramente feliz.



     uma felicidade que me tem chegado naturalmente desde que nasci até àquela que eu mesma me encarrego de construir. sim, a minha felicidade também se constrói. sinto que tenho sido, nesta parte, um bom executante.



     as pessoas.
     não vou citar nem uma mas são várias as que me apareceram de surpresa ao longo da vida a preencher um canto que estava aqui à espera das suas medidas exatas. e ficam. e eu cresço por causa delas.



     as leituras.
     autores para mim desconhecidos indicados pela circunstância aleatória de qualquer momento vivido abrem-me um novo mundo de palavras, vivendo entre a madeira quase maciça da mesinha de cabeceira e as prateleiras da sala de minha casa. repousados noutros lugares, quando me movimento.



     os lugares.
     longe ou perto do meu centro. às vezes, cantos desconhecidos na minha cidade.



     os amigos.
     os amigos que temos renovam-se por vezes em boas surpresas. esperamos dos amigos o que se espera sempre dos amigos. a amizade é um sentimento de relação natural e quando se quebra num momento surpreendente de revelação positiva, eleva-se sem que suspeitássemos desta tão boa e pura possibilidade. 




     este blog que deixo escrito em baixo e onde podem clicar para conhecer, foi uma boa surpresa. uma ótima e maravilhosa surpresa. de leitura e visualização. muito simples. no ponto. no meu ponto.





sábado, 19 de abril de 2014

muito a sul.


     este país que subo e desço perde-me de amores a cada pedaço a que se me expõe. uma e outra vez recobre-me o deslumbramento e deixa-me por dias pendurada nas memórias que dele trago. este país que é do mundo porque seria egoísmo dizê-lo só meu. este país abraçado pelo mar e empurrado para uma Europa velha e necessitada de renovação é a unha que lhe falta à beleza plena. este país que nunca me defrauda a vista está aqui para que eu o tome e me entregue à sua inesgotável sensualidade.  























sábado, 5 de abril de 2014

não levo jeito para datas.

tenho uma excelente memória fotográfica. a mais fácil, bem sei. só me recordo das datas coincidentes com momentos, quase sempre preenchidos por pessoas. 

cinco de abril:

1. porque poderia ter um "vinte e" antes.
2. porque há vinte anos passava nas arcadas de minha casa e o meu amigo me disse que o Kurt Cobain tinha morrido. 
3. porque oito anos depois casava neste dia. 
4. porque dez anos depois tinha a minha filha no dia seguinte a este. 

porque choveu sempre.

                                  nunca parei de ouvir Nirvana. esta é a minha preferida.
                                          ainda a dancei um destes dias no Roterdão. 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

inspirar cada momento.

     todos dizem e vão escrevendo que têm saudades do verão. a conversa típica que encontra o mesmo assunto no elevador da vizinhança transbordou as portas desse elevador. avançou para tudo quanto é linha de desabafo das ondas instacoiso facecoiso e até blogcoiso. eu mesma escrevo agora sobre esta náusea de assunto que me quebra a vontade, deixando-me frouxa e de sorriso amarelo, falsa no assentimento.

    e depois, quando esse verão vier vão dizer que terão tantas saudades do verão, no inverno. nesse inverno tornarão a dizer, como agora que é primavera, que têm saudades do verão. 

     e até lá? hiberna-se? ok. lamenta-se.




     

sexta-feira, 21 de março de 2014

viver em poesia.




VERMEER

Enquanto aquela mulher do Rijksmuseum,
em quietude pintada e concentração,
dia após dia, não verter o leite
do jarro para a vasilha,
o Mundo não merece
o fim do mundo.





poema de Wisława Szymborska  (tradução de Teresa Swiatkiewicz).

segunda-feira, 17 de março de 2014

comprei o novo disco do The Legendary Tiger Man. 

e sabia que só podia ser muito bom.  

e agora vou ouvi-lo dois milhões e trezentas mil vezes nas minhas viagens diárias de duas horas. 

quinta-feira, 13 de março de 2014

improvisar com as imperfeições

estranharam o meu silêncio e perguntaram se me desapaixonara.
em plena inspiração, faço o que não gosto de fazer. planeio. indico dias no calendário onde ilustro as minhas férias de verão. como se a vida não fosse muito melhor sem planos. prefiro que planeiem por mim. se me agradar vou. se não, vou também mas para outro lugar. 
considero que o improviso me fica bem embora não dê muito jeito a quem convive com ele por se ter atrevido a conviver comigo.