quarta-feira, 10 de janeiro de 2018


Love me, love me, love me, say you do
Let me fly away with you
For my love is like the wind, and wild is the wind
Wild is the wind
Give me more than one caress, satisfy this hungriness
Let the wind blow through your heart
For wild is the wind, wild is the wind
You touch me
I hear the sound of mandolins
You kiss me
With your kiss my life begins
You're spring to me, all things to me
Don't you know, you're life itself!
Like the leaf clings to the tree
Oh, my darling, cling to me
For we're like creatures of the wind, and wild is the wind
Wild is the wind
You touch me
I hear the sound of mandolins
You kiss me
With your kiss my life begins
You're spring to me, all things to me
Don't you know, you're life itself!
Like the leaf clings to the tree
Oh, my darling, cling to me
For we're like creatures of the wind, and wild is the wind
Wild is the wind

domingo, 10 de dezembro de 2017

a mulher que muito ama nunca morre de paixão

"Hino à Vida

Tão certo quanto o amigo ama o amigo,
Também te amo, vida-enigma
Mesmo que em ti tenha exultado ou chorado,
mesmo que me tenhas dado prazer ou dor.



Eu te amo junto com teus pesares,
E mesmo que me devas destruir,
Desprender-me-ei de teus braços
Como o amigo se desprende do peito amigo.
Com toda força te abraço!

Deixa tuas chamas me inflamarem,
Deixa-me ainda no ardor da luta
Sondar mais fundo teu enigma.

Ser! Pensar milénios!

Fecha-me em teus braços:
Se já não tens felicidade a me dar
Muito bem: dai-me teu tormento."

Lou Andreas-Salomé. 1861-1937



sexta-feira, 10 de novembro de 2017







por ti volto não volto.

por ti hei-de voltar sempre.

por mim todas essas voltas serão sempre meias voltas insatisfatórias e inconsequentes, preguiças no assumir do pensamento, atrozes no sentimento que se pressente.

por ti tudo o mais é quase nada na dura imaginação.

por mim e porque o segundo não apaga o que o presente

relançou nesta fraqueza aquilo que, por certo, se mente

essas voltas não são mais as voltas

que todo o inverno consente.


releio tudo de tempo a tempo.


Marraquexe, 04 de novembro de 2017






quinta-feira, 27 de abril de 2017

em todas as ruas te encontro




Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco

Mário Cesariny, "Pena capital"


sexta-feira, 21 de abril de 2017

     não sei se me apetece o recolher obrigatório, o descer das minhas saias abaixo do joelho e o lenço preto a tapar-me os cabelos de igual cor, tão longos que, esticados, me tocam no fundo das costas onde começam os indícios de maior beleza, segundo cedo descobri pelo António, o meu primeiro e único amor até ontem quando abri os olhos acordada e percebi que o amor não precisa de ser impingido, muito menos fingido. 
A do éMe. 

lisboa. março ou abril de dois mil e dezasseis.

domingo, 26 de março de 2017

metamorfose necessária


sete palavras. sete anos. sete longos anos. sete pequenos acontecimentos. sete nadas. mais sete quase  tudo. um ciclo que me fazem crer necessário à renovação da pele. ao crescimento e ao momento, àquele momento em que no centro do ponto mais central e exposto da cidade se dá o renascimento recalcado na pureza e espontaneidade dos gestos e da dor da metamorfose necessária.




Seven Words 
These seven words I say to you, one by one
I love you and you have to know
If I could change how I'm insane
If I could learn to leave my troubles behind
It's starting to hurt and I know you moved on
Telling everyone how I done you so wrong
Cat scratch a beast
My words that made you bleed
Now I face tomorrow
Now I face tomorrow
In time we'll both be free from this ball and chain
Hanging on to things
I want you mostly in the morning
When my soul is weak from dreaming
When the dust has cleared
And you forget that I'm here
Hanging on
I've been hanging
Who had the last word
I'm telling you first
Who had the last word
I'm telling you first
These seven words are no longer mine
Who am I but a stranger who took you down
It's starting to burn and I wanna go home
Only home I've known
Lost in the storm
It had to be seven words to set us free
Now I face tomorrow
Now I face tomorrow
Now I face tomorrow

quinta-feira, 16 de março de 2017



     abracei-te Veneza, tão cedo, tão nova e tão cheia de planos.

     sonhei abraçar-te muitas vezes, tantas que à sorte de querer apontar cada uma delas me perderia decerto nessa contagem como me perdi, orgulhosamente embriagada de tanta beleza, nas ruas e nos canais que ávida de paixão penetrei.

     abracei-te solteira, Veneza, abracei-te casada, abraçar-te-ei em qualquer estado civil que me conheça. abraçar-te-ei, sei mesmo, já morta, morta de vida pelas saudades definhadoras do meu corpo rasgado à falta do ar que o grito que me sai em cada sonho, sabe que te chamo noite dentro, questionando-me lavada em águas turvas pela escuridão negra da noite na aflição de pensamento se não te terei perdido para sempre quando te abandonei, deixando para trás daquele riva boat, todo o amor que encontrei no teu corpo em forma de ilha.