quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Tel & Man

    veio-me parar às mãos, aos ouvidos melhor dizendo que foi assim que me chegou e enviada a muitos kilómetros de distância dois mundos separados por dois pontos, o emissor e o recetor, duas línguas diferentes, as mais faladas, talvez, no mundo.

     a música estreita laços cria ligações nem que sejam as que pensamos existirem por causa do efeito que as notas e, às vezes (para mim não) as letras estabelecem no nosso corpo no nosso cérebro em pulos inexplicáveis de arrebatadora paixão. 

     leio  António Lobo Antunes e oiço-lhe a escrita corrida sem vírgulas ou pontos muito pior que Saramago que todos dizem à boca cheia não conseguirem ler por falta de pontuação. serão por certo os mesmo que nunca leram nem Saramago nem António Lobo Antunes.

      leio-lhe o último livro e por lhe ouvir essa escrita colo a minha à sua corrida em meia dúzia de linhas que se me arrancam do peito inflamado à falta de nicotina (e eu não fumo).



terça-feira, 1 de novembro de 2016

esqueci-me de ti


     "Às vezes não é que esteja triste, não estou triste, nunca mais estive triste, acabou-se a tristeza em mim, triste era a névoa quando as traineiras regressavam em dezembro e a praia parecia baloiçar com homens de capa de oleado lá dentro, perseguidos por gaivotas que bicavam as redes tentando despedaçar o peixe, as lanternas quietas e os motores a calarem-se na areia, não é que me sinta mal, não sinto nada, posso dizer que não sinto absolutamente nada quando a senhora de idade me obriga a sentar na sala a seguir ao almoço amaciando-me as costas com uma almofada"
"Para Aquela que Está Sentada no Escuro à Minha Espera" - António Lobo Antunes 

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

eu queria beijar-te hoje
que te adivinho triste
e por saber da razão
mais beijos em jeito de raiva te queria dar
como se esses meus beijos
te resgatassem a alegria que o teu sorriso me consegue sossegar

e

para te beijando
primeiro a face
depois a boca pulsante do sangue
que lhe dá aquela cor

sentir as pestanas
que resguardam
esse teu olhar triste,
pousando-lhes mais um beijo

que
saindo acompanhado na descida da minha mão ao teu ventre,
calmo e quente,
escolhe em tempo subtil a perna por onde me perco em desejos arruinadores da minha razão.

eu queria beijar-te hoje
sabendo-te noutra tristeza
que não essa que te engana a felicidade
sabendo-te noutra tristeza,
a dos beijos que não tenho coragem de te dar.





domingo, 16 de outubro de 2016

sonhos dos outros

     quando lhe perguntaram à frente dele pela qualidade do músico em que ele se havia tornado, esqueceu de como gostava, então, de o ver tocar nos tempos em que não havia concertos além dos que serviam apenas para praticar junto de um qualquer público barulhento confinado a qualquer bar e em qualquer parte da cidade. levava ela a vida encharcada na paixão de o saber a tocar apenas para ela e por isso não respondeu.






sexta-feira, 9 de setembro de 2016

all of my life


All of my life waiting for you
Just to be by your side, just to see it through
And you'd call my name, but what would you say
If you knew my play, then who are you
Ooh and you'd come down and anchored stay
And if they told you run
Then why you standing there

All of my life spent on you
Just to be by your side, but you never came
And you'd call my name just to disappear
I've been proven down in a tear
And what if no one comes
No bells to ring, Lord
What if no one cares
No tales to sing now

All of my life waiting for you
Just to be by your side, should've been there too
And you'd call my name, but I never couldn't hear
If you knew my play, then you'd never do what you want
It was only a waltz
You'd never do what you'd say
Oh what you'd say

All of my life
All of my life
All of my life
All of my life

terça-feira, 5 de julho de 2016

terça-feira, 28 de junho de 2016

três meses nos separam

    "não  te detenhas nessa tristeza infantil, previsível e estudada que o mundo é maior do que julgas. tens apenas dezassete anos que é tão pouco, filho. revolta-te com o essencial não com o superficial. abre-te ao que sabes fazer, à tua veia magnífica de criatividade segura e transbordante. apaixona-te."
A do A, no Alentejo, perdida no tempo, construindo histórias nas pedras dos montes.

     em abril, subia o pássaro de metal inteiro aos céus, em descolagem com destino prometido à ilha capital das nove ilhas, iniciei e acabei nesse vôo a leitura de "Alentejo Prometido", de Henrique Raposo, que acompanhei com  a canção em modo repeat "burn it when i die" de Flip Grater. não sei, por isso, quantas vezes a ouvi mas a repetição faz-me colar a Marta, que ele diz ser o Alentejo ou a exceção ao Alentejo (agora digo-o eu) à canção. a peregrinação pelos pontos familiares da infância do Henrique à tristeza que esta canção recalca. um livro e a mesma canção.




     iniciei hoje "As Curvas do Tempo" plasmadas nas Memórias de Oscar Niemeyer que espero acabar amanhã que esta noite não me ajuda. já a meio devoro com a mesma cadência e do princípio ao fim e depois do fim ao seu princípio o álbum "i am a bird now", dos Antony & the Johnsons. a mesma repetição. as mesmas palavras, aquele sotaque. as mesmas canções.