quando lhe perguntaram à frente dele pela qualidade do músico em que ele se havia tornado, esqueceu de como gostava, então, de o ver tocar nos tempos em que não havia concertos além dos que serviam apenas para praticar junto de um qualquer público barulhento confinado a qualquer bar e em qualquer parte da cidade. levava ela a vida encharcada na paixão de o saber a tocar apenas para ela e por isso não respondeu.
domingo, 16 de outubro de 2016
sexta-feira, 9 de setembro de 2016
all of my life
All of my life waiting for you
Just to be by your side, just to see it through
And you'd call my name, but what would you say
If you knew my play, then who are you
Ooh and you'd come down and anchored stay
And if they told you run
Then why you standing there
Just to be by your side, just to see it through
And you'd call my name, but what would you say
If you knew my play, then who are you
Ooh and you'd come down and anchored stay
And if they told you run
Then why you standing there
All of my life spent on you
Just to be by your side, but you never came
And you'd call my name just to disappear
I've been proven down in a tear
And what if no one comes
No bells to ring, Lord
What if no one cares
No tales to sing now
Just to be by your side, but you never came
And you'd call my name just to disappear
I've been proven down in a tear
And what if no one comes
No bells to ring, Lord
What if no one cares
No tales to sing now
All of my life waiting for you
Just to be by your side, should've been there too
And you'd call my name, but I never couldn't hear
If you knew my play, then you'd never do what you want
It was only a waltz
You'd never do what you'd say
Oh what you'd say
Just to be by your side, should've been there too
And you'd call my name, but I never couldn't hear
If you knew my play, then you'd never do what you want
It was only a waltz
You'd never do what you'd say
Oh what you'd say
All of my life
All of my life
All of my life
All of my life
All of my life
All of my life
All of my life
terça-feira, 5 de julho de 2016
terça-feira, 28 de junho de 2016
três meses nos separam
"não te detenhas nessa tristeza infantil, previsível e estudada que o mundo é maior do que julgas. tens apenas dezassete anos que é tão pouco, filho. revolta-te com o essencial não com o superficial. abre-te ao que sabes fazer, à tua veia magnífica de criatividade segura e transbordante. apaixona-te."
A do A, no Alentejo, perdida no tempo, construindo histórias nas pedras dos montes.
em abril, subia o pássaro de metal inteiro aos céus, em descolagem com destino prometido à ilha capital das nove ilhas, iniciei e acabei nesse vôo a leitura de "Alentejo Prometido", de Henrique Raposo, que acompanhei com a canção em modo repeat "burn it when i die" de Flip Grater. não sei, por isso, quantas vezes a ouvi mas a repetição faz-me colar a Marta, que ele diz ser o Alentejo ou a exceção ao Alentejo (agora digo-o eu) à canção. a peregrinação pelos pontos familiares da infância do Henrique à tristeza que esta canção recalca. um livro e a mesma canção.
iniciei hoje "As Curvas do Tempo" plasmadas nas Memórias de Oscar Niemeyer que espero acabar amanhã que esta noite não me ajuda. já a meio devoro com a mesma cadência e do princípio ao fim e depois do fim ao seu princípio o álbum "i am a bird now", dos Antony & the Johnsons. a mesma repetição. as mesmas palavras, aquele sotaque. as mesmas canções.
quinta-feira, 2 de junho de 2016
domingo, 15 de maio de 2016
do piano
cheguei a sussurrar-lhe que não fosse. depois ouvia-lhe a respiração. quase apostei que dormitava, embalado. fechei amiúde os olhos para apurar outros sentidos e recuei o tempo que quis. parei ali, a meio do mês de maio, em mil novecentos e noventa e quatro e a cassete que me ofereceu tocava agora martelada no piano à minha frente, numa escala maior, melhor e toda ela real.
Michael Nyman
maio de 1994
maio de 2016
quinta-feira, 28 de abril de 2016
Al Berto
dezanove anos frescos quando li Al Berto pela primeira vez. numa biblioteca, um livro escolhido ao acaso, retirado de uma prateleira a meia altura. um poema que não identifico. apenas o Medo e a capa permanecem na minha memória. mais tarde comprei a 1ª edição dos Diários da Assírio e Alvim e a meio deste mês, o Medo.
ler Al Berto é sentir a sua inquietação profunda e acompanhar-lhe a vida breve. conhecer-lhe os amigos e tentar adivinhar os amores que ocupavam a sua surpreendente alma, percorrer alguns lugares conhecidos, desfasados no tempo.
"Quando em pequeno ouvi contar que Deus se escondia por todo o lado, nas águas do tanque de lavar roupa, no poço, na folhagem espessa do loureiro, na terra húmida, nos canteiros de flores, no cimo das árvores. Pareceu-me que o lugar mais provável era o cimo das árvores, não sei porquê, nunca consegui encontrar explicação. Deus está no cimo das árvores e não nos outros lugares que me tinham dito. Achei exagerado que Ele estivesse em todo o lado. Quando conseguia, subia às árvores, ficava acocorado na folhagem, em silêncio, e esperava que Deus se me revelasse.
ler Al Berto é sentir a sua inquietação profunda e acompanhar-lhe a vida breve. conhecer-lhe os amigos e tentar adivinhar os amores que ocupavam a sua surpreendente alma, percorrer alguns lugares conhecidos, desfasados no tempo.
"Quando em pequeno ouvi contar que Deus se escondia por todo o lado, nas águas do tanque de lavar roupa, no poço, na folhagem espessa do loureiro, na terra húmida, nos canteiros de flores, no cimo das árvores. Pareceu-me que o lugar mais provável era o cimo das árvores, não sei porquê, nunca consegui encontrar explicação. Deus está no cimo das árvores e não nos outros lugares que me tinham dito. Achei exagerado que Ele estivesse em todo o lado. Quando conseguia, subia às árvores, ficava acocorado na folhagem, em silêncio, e esperava que Deus se me revelasse.
Um dia surpreendi uma ave no ninho, e, repentinamente, suspeitei que
deus se escondesse dentro dum ovo. A ave tinha voado para longe,
assustada. Agarrei no ovo e trouxe-o para casa. Assim o conservei muito
tempo, dentro duma caixinha de cartão, em cima dum pedaço de algodão.
Vigiei-o noite após noite, até que o esqueci. Deixou de me surgir em sonhos, o ovo, e deus.
Alguns anos depois encontrei, numa gaveta de uma secretária velha, a
caixinha com o ovo dentro aparentemente intacto. Mal lhe toquei o ovo
desfez-se, tinha um cheiro a podre, execrável, tal como deus, a pouco e
pouco, foi apodrecendo no meu coração."
in Diários.
in Diários.
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