sexta-feira, 9 de setembro de 2016

all of my life


All of my life waiting for you
Just to be by your side, just to see it through
And you'd call my name, but what would you say
If you knew my play, then who are you
Ooh and you'd come down and anchored stay
And if they told you run
Then why you standing there

All of my life spent on you
Just to be by your side, but you never came
And you'd call my name just to disappear
I've been proven down in a tear
And what if no one comes
No bells to ring, Lord
What if no one cares
No tales to sing now

All of my life waiting for you
Just to be by your side, should've been there too
And you'd call my name, but I never couldn't hear
If you knew my play, then you'd never do what you want
It was only a waltz
You'd never do what you'd say
Oh what you'd say

All of my life
All of my life
All of my life
All of my life

terça-feira, 5 de julho de 2016

terça-feira, 28 de junho de 2016

três meses nos separam

    "não  te detenhas nessa tristeza infantil, previsível e estudada que o mundo é maior do que julgas. tens apenas dezassete anos que é tão pouco, filho. revolta-te com o essencial não com o superficial. abre-te ao que sabes fazer, à tua veia magnífica de criatividade segura e transbordante. apaixona-te."
A do A, no Alentejo, perdida no tempo, construindo histórias nas pedras dos montes.

     em abril, subia o pássaro de metal inteiro aos céus, em descolagem com destino prometido à ilha capital das nove ilhas, iniciei e acabei nesse vôo a leitura de "Alentejo Prometido", de Henrique Raposo, que acompanhei com  a canção em modo repeat "burn it when i die" de Flip Grater. não sei, por isso, quantas vezes a ouvi mas a repetição faz-me colar a Marta, que ele diz ser o Alentejo ou a exceção ao Alentejo (agora digo-o eu) à canção. a peregrinação pelos pontos familiares da infância do Henrique à tristeza que esta canção recalca. um livro e a mesma canção.




     iniciei hoje "As Curvas do Tempo" plasmadas nas Memórias de Oscar Niemeyer que espero acabar amanhã que esta noite não me ajuda. já a meio devoro com a mesma cadência e do princípio ao fim e depois do fim ao seu princípio o álbum "i am a bird now", dos Antony & the Johnsons. a mesma repetição. as mesmas palavras, aquele sotaque. as mesmas canções.







quinta-feira, 2 de junho de 2016

lavro escrituras e testamentos.
por vezes penso que hei-de acrescentar, em tempo, a este verbo a terra que lavrarei nem que seja para ver crescer os coentros, a salsa, o basílico e todas as ervas com que tempero a minha vida.



domingo, 15 de maio de 2016

do piano

     cheguei a sussurrar-lhe que não fosse. depois ouvia-lhe a respiração. quase apostei que dormitava, embalado. fechei amiúde os olhos para apurar outros sentidos e recuei o tempo que quis. parei ali, a meio do mês de maio, em mil novecentos e noventa e quatro e a cassete que me ofereceu tocava agora martelada no piano à minha frente, numa escala maior, melhor e toda ela real.

Michael Nyman 
maio de 1994
maio de 2016



quinta-feira, 28 de abril de 2016

Al Berto

     dezanove anos frescos quando li Al Berto pela primeira vez. numa biblioteca, um livro escolhido ao acaso, retirado de uma prateleira a meia altura. um poema que não identifico. apenas o  Medo e a capa permanecem na minha memória. mais tarde comprei a 1ª edição dos Diários da Assírio e Alvim e a meio deste mês, o Medo.

     ler Al Berto é sentir a sua inquietação profunda e acompanhar-lhe a vida breve. conhecer-lhe os amigos e tentar adivinhar os amores que ocupavam a sua surpreendente alma, percorrer alguns lugares conhecidos, desfasados no tempo.


      "Quando em pequeno ouvi contar que Deus se escondia por todo o lado, nas águas do tanque de lavar roupa, no poço, na folhagem espessa do loureiro, na terra húmida, nos canteiros de flores, no cimo das árvores. Pareceu-me que o lugar mais provável era o cimo das árvores, não sei porquê, nunca consegui encontrar explicação. Deus está no cimo das árvores e não nos outros lugares que me tinham dito. Achei exagerado que Ele estivesse em todo o lado. Quando conseguia, subia às árvores, ficava acocorado na folhagem, em silêncio, e esperava que Deus se me revelasse.
Um dia surpreendi uma ave no ninho, e, repentinamente, suspeitei que deus se escondesse dentro dum ovo. A ave tinha voado para longe, assustada. Agarrei no ovo e trouxe-o para casa. Assim o conservei muito tempo, dentro duma caixinha de cartão, em cima dum pedaço de algodão.
Vigiei-o noite após noite, até que o esqueci. Deixou de me surgir em sonhos, o ovo, e deus.
Alguns anos depois encontrei, numa gaveta de uma secretária velha, a caixinha com o ovo dentro aparentemente intacto. Mal lhe toquei o ovo desfez-se, tinha um cheiro a podre, execrável, tal como deus, a pouco e pouco, foi apodrecendo no meu coração." 

in Diários. 

domingo, 17 de abril de 2016

poucas palavras.

a vida não dá para tudo.
enquanto houve vontade a vida dá para tudo. 
enquanto houver bom cinema a vida dá mesmo para tudo. 
aproveita o dia.

estou arrasada com este filme. 


com a sua banda sonora.







e a soberba interpretação de Juliette Binoche.

aqui a entrevista ao realizador do filme, Piero Messina.