domingo, 17 de abril de 2016

poucas palavras.

a vida não dá para tudo.
enquanto houve vontade a vida dá para tudo. 
enquanto houver bom cinema a vida dá mesmo para tudo. 
aproveita o dia.

estou arrasada com este filme. 


com a sua banda sonora.







e a soberba interpretação de Juliette Binoche.

aqui a entrevista ao realizador do filme, Piero Messina.



quarta-feira, 23 de março de 2016

amar é pensar

     
     a que estado chegamos quando nos elevamos pensando saber qual o ponto em que devemos voltar? o céu é o limite e as convicções e os nossos princípios a determinação da sua extensão. é importante voar. mais importante é sabe-lo fazer batendo as asas, soltando as penas e erguendo a cabeça para tornar o voo mais leve e confortável. e livremente, a fim de que o retorno seja simples e sem arrependimentos.  

     ando embrulhada nas "463 Tisanas" da Ana Hatherly e o céu não me chega. completo o embrulho com a compra, no dia mundial da poesia, de "Amar é Pensar - Antologia de Poemas de amor de Fernando Pessoa" a ver se me descubro e redescubro-me afinal. e mais do que procurei.

"Amar é Pensar

Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,

E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distracção animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero.
Quero só Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar."


O Pastor Amoroso/ Alberto Caeiro

terça-feira, 15 de setembro de 2015

     há vícios que me ficam colados por tempos sem razão aparente que justifique o modo repeat em que me revejo. terá a ver com estados de alma, dizem-me. pouco me importa. tenho presente que passam a estar associados a pessoas e a momentos da minha vida. há um ano, no tempo que durou a morte do meu pai colei-me a outro som em que me viciei por meses e que não me deixava particularmente triste. muito pelo contrário. enterrei este som de finitude quando o procurei ao vivo numa noite fria de novembro, no s. Jorge, em Lisboa. em vão. 

    já este, em baixo, ainda bem vivido, acompanhou-me o presente verão fresco e sensaborão e reporta-me para o meu melhor lado lunar.



sábado, 29 de agosto de 2015



No I won't
No I won't
No I won't
I won't let you move that way
Cause I don't
No I don't
I don't let you move that way
No I won't
No I won't
I won't stand here whilst you sway
No I don't
Anymore

No I won't
No I won't
No I won't
I won't let you move that way
Cause I don't
No I don't
I don't let you move that way
No I won't
No I won't
I won't stand here whilst you sway
No I don't
Anymore

You don't take me dancing anymore
Oh you don't take me dancing anymore
Oh it's been a long time
Since I've been on the floor
Oh it's been a long time
Since I've been on the floor

No I won't
No I won't
No I won't
I won't let you move that way
Cause I don't
No I don't
I don't let you move that way
No I won't
No I won't
I won't stand here whilst you sway
No I don't
Anymore

You won't take me dancing anymore
Oh it's been a long time
Since we've been on the floor
You won't take me dancing anymore
Oh it's been a long time
Since I've been on the floor
Do something dark with me
I can't live with these wounds
Grab me by the feet and throw me in the lagoon

No I won't
No I won't
No I won't
I won't let you move that way
Cause I don't
No I don't
I don't let you move that way
No I won't
No I won't
I won't stand here whilst you sway
No I don't
Anymore

You won't take me dancing anymore
Oh it's been a long time
Since I've been on the floor
You won't take me dancing anymore
Oh it's been a long time
Since I've been on the floor
Oh you don't take me dancing anymore
You don't take me dancing anymore
You don't take me dancing anymore
You don't take me dancing anymore

provações

    ainda agora cheguei das férias. das verdadeiras. daquelas pelas quais espero desde que me lembro de esperar pelo mesmo tempo, igual cadência de cheiros e sensações. as do sal do mar. as outras não serão menos do que estas de onde cheguei. não deixam de ser, essas outras, apenas apontamentos leves de fuga à rotina que me deixam quase sempre mais cansada do que que quando me entreguei a elas, embora sejam as minhas preferidas, por me renovarem genuinamente o interior tornado-me maior.

    ainda agora cheguei das férias grandes que hoje, nesta idade adulta e de responsabilidade, duram intermináveis quinze dias. de descanso, de ócio puro, de desformatação cerebral, do modo suave que exprime o ideal dos preguiçosos - dolce fare niente. 

     ainda agora as terminei e já só penso naqueles outros cinco dias que me dispensei em junho para descobrir a rota marroquina de Marraquexe ao deserto, às dunas de Erg Chebbi, subindo e descendo o Alto Atlas. nessas outras férias onde me sinto bem porque plena, em contínua agitação interior e exterior, em ebulição ou no exato ponto de rebuçado. 

     ninguém duvida que parte do meu coração está em solo marroquino e que os meus sonhos inalcansáveis se reportam para aqueles ares, num outro tempo talvez. muitas vezes pergunto-me se haverá uma razão, desprezando suposições e hipóteses que se vão adiantando.

   esta viagem foi muito bem preparada para nós, sete amigos que ficámos mais amigos ainda, pela Maria João Pavão Serra que, à medida, coseu os nossos cinco dias de forma irrepreensível. 

   

































  


  

  

terça-feira, 30 de junho de 2015

voltei.

     
Marraquexe, dois mil e dez.
     a minha vida enche-se a cada movimento de inspiração. tanto que, não raras as vezes em épico ponto da confusão, oiço esse vulgar sinal de que estou cá, inspirando e expirando repetidas vezes, abandonando de seguida o pequeno mas forte momento de alguns segundos, esquecendo tranquilamente que o meu corpo trabalha sem comando à vista.
     há cinco anos, no meu até agora e ainda centro nevrálgico do planeta, na louca praça jemma el fna, em Marraquexe, onde o sagrado e o profano nos confundem o amadurecimento, senti esse movimento no peito, ao saber que acabara de encontrar o rapaz mais bonito que até então havia visto. pela forma como estava sentado, como posicionava os braços sobre um papel que tentei, em vão, ler, apaixonei-me. e fotografei-o de longe, sem o perturbar, de mansinho, mas suficientemente perto  para não lhe perder os contornos e a definição da imagem eternizada na minha memória. 
  desta vez, cinco anos depois, no mesmo lugar da minha praça, lembrei-me desse pequeno acontecimento e procurei-o, sem sucesso, partilhando a busca com quem me acompanhava. 
    ontem, o rapaz da louca praça de marraquexe atravessa-se no meu caminho, nas estradas recortadas e sinuosas de outras paragens, numa imagem arrancada por alguém que lhe encontrou a singularidade da beleza presente em toda a sua  figura.