domingo, 13 de outubro de 2013

conservas portuguesas.

     no 130 da Rua do Arsenal, em Lisboa, nasceu uma loja de conservas. a Loja das Conservas.

    sou fã de conservas desde que, aberta uma lata há uns anos, descobri que a cavala pode ser um pitéu em tudo diferente daquela que se cozia em casa dos pais, servido nem-sei-bem-com-que-acompanhamento. à semelhança de tudo o que se apresentava à mesa, era obrigada a comer. nem que isso representasse uma tarde em frente ao prato a aguá-lo com lágrimas sentidas de manifesta repugnância. 

    da cavala segui o rasto dos diversos atuns, passei à truta, ao bacalhau, ao carapau e só não me meti ainda nas enguias. juntei-lhes saladas, marinados e as ervas aromáticas plantadas por mim. e hoje a minha despensa é uma paleta rica de sabores portugueses prontos a partilhar.


   há uma receita proposta aqui








    


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

terça-feira, 8 de outubro de 2013

danos colaterais.

       não me lembro de ter ouvido esta canção no concerto do Jorge Palma o ano passado, no TAGV. 
       somente agora, que a oiço em modo repeat, encontrei a explicação.
       pois bem,
      achei apropriado levar os dois miúdos cá de casa, sete e nove frescos e pujantes anos. entre a nona e a décima canção engalfinham-se um no outro, desatando à cacetada. nunca visto. fiquei envergonhadíssima e capaz de entrar na briga contra os dois. "quando é que isto acaba" "quando é que isto acaba", foi o que deles mais ouvi.
     como se não bastasse ter uma bancada inteira do camarote a assistir a uma briga de infantes irmãos, na cadeira ao meu lado, um jovem senhor cinco a seis vezes o meu tamanho em toda a escala, desbravava uma batalha consigo mesmo, em tentativas inúteis de segurar os efeitos danosos dos gases que lhe íam saindo sabe deus por onde. desde que se sentou e assim que se levantou. mais uma vez envergonhadíssima, solidária com o pensamento (é certinho) de todos aqueles que o ladeavam: "espero bem que não achem que fui eu".

    não estavam reunidas as condições para eu poder dizer, sequer, que fui ao concerto do Jorge Palma pois foi como se não tivesse estado lá.



segunda-feira, 7 de outubro de 2013

inventar a vida.

lisboa está mais bonita que nunca.
  
     como é possível não viver sob a musicalidade que as cores transmitem e ignorar que se sente nas linhas retas e circulares que formam os ângulos da vida a influência do dia a dia?
  
     poderemos nós acordar em mi bemol ou fá sustenido e sentirmo-nos nesse dia mais direitos e eretos, clássicos portanto, por oposição aos dias em que nos levantamos sob a égide de tríades, acordes de dó maior e enrolados numa valsa desconjuntada de movimentos corporais descoordenados mas tão mais desinibidos?

      e tornar isto encaixável numa vida de burocracia? 

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

agendado.

casa da música e aula magna. Porto e Lisboa. dezasseis e dezassete de Dezembro próximo.
 
um dó li tá.
 
 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

alfaiataria

     o Porto tem um de vários segredos que gosto amiúde de espreitar. fingindo que há um fato para criar à medida das minhas ancas flausinas, justo o suficiente que as disperse dos olhares, alongando-me utopicamente a altura que consta do meu documento de identidade, bato três vezes com os nós dos dedos da minha mão na porta da rua da casa, outrora jóia de família, granítica e forrada a azulejos verdes. três vezes que me sabem já de cor e reconhecem a pontada seca dos ossos que os chamam lá de cima. a bem dizer há a campainha, ouvida se marcada previamente a visita avec le createur.
       vai também assim o Porto, exportando ideias únicas que o sul nem se atreve a merecer ter.

clicar em baixo é entrar sem marcar. e vale bem a pena a visita.