sexta-feira, 4 de outubro de 2013

agendado.

casa da música e aula magna. Porto e Lisboa. dezasseis e dezassete de Dezembro próximo.
 
um dó li tá.
 
 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

alfaiataria

     o Porto tem um de vários segredos que gosto amiúde de espreitar. fingindo que há um fato para criar à medida das minhas ancas flausinas, justo o suficiente que as disperse dos olhares, alongando-me utopicamente a altura que consta do meu documento de identidade, bato três vezes com os nós dos dedos da minha mão na porta da rua da casa, outrora jóia de família, granítica e forrada a azulejos verdes. três vezes que me sabem já de cor e reconhecem a pontada seca dos ossos que os chamam lá de cima. a bem dizer há a campainha, ouvida se marcada previamente a visita avec le createur.
       vai também assim o Porto, exportando ideias únicas que o sul nem se atreve a merecer ter.

clicar em baixo é entrar sem marcar. e vale bem a pena a visita.








segunda-feira, 30 de setembro de 2013

um filme que cheira bem

      gosto muito dos sítios que cheiram bem, de pessoas que cheiram bem, de desenrolar as minhas pachminas do ano anterior porque cheiram bem. viajo para trás no tempo e o primeiro cheiro bom que reconheço na minha vida é o do chá de camomila, que perfumava a casa da figueira da foz ou quando nessa cidade éramos recebidas em casa da amiga da mãe que gostava de gatos e, por isso, colecionava na sua saleta um interminável número de objetos felinos, que por vezes nos deixava pegar. essa é a minha primeira referência. algo vaga. porém forte.
 
   
 
  

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

justamente

     a quebra do verão atrasou-se dois dias e chegou hoje em chuvinha desorientada. eu gosto da cidade no inverno, quando me recolho agasalhada nas casas que me aconchegam. os melhores brunch de sempre, os sábados e domingos de corrida na mata do choupal quase só para mim. os museus revisitados. as idas à baixa escura e melancólica onde me perco como se a cidade me fosse nova. os jantares encharcados e o bronze perdido à renovação da pele fresca e debotada e o meu cabelo no ar, à laia da humidade esquecida. outras rotinas. outras folias. e alguém que vai chegar e faz, assim, alargar a família. 









     





o melhor brunch de sempre aqui

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

voltei por necessidade de voltar e voltarei pela mesma razão.
  nada de racional há nisto. nem consta que tenha de haver. 


























quinta-feira, 19 de setembro de 2013


   
 acho que me detive, muito quieta alcançado o último degrau que me deu acesso ao mezzanine poeirento e mal iluminado a não ser pelos olhos claros, límpidos e meigos para onde nunca olhei quando escutava as suas composições.
      trouxe-o para casa para lá do tamanho real, debaixo do braço, meio tombado, carcomido nas extremidades do retrato colado na tábua de contraplacado naturalmente barato. trouxe-o porque me apaixonei.

     agora olho para ele quando entro na minha sala com uma sensação que é ele que me segue os movimentos com o seu olhar fixo que há-de ter tanto para lá da magnífica cor dos seus olhos.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

a beleza absoluta

"O Doiro sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso da natureza. Socalcos que são passadas de homens titânicos a subir as encostas, volumes, cores e modulações que nenhum escultor, pintor ou músico podem traduzir, horizontes dilatados para além dos limiares plausíveis da visão. Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema geológico. A beleza absoluta."