quarta-feira, 8 de maio de 2013

o(s) gótico(s) e eu.

    
 
  porque é que os góticos, na música, a fizeram sempre boa?
  não sei.
  porque é que têm uma cultura fora da linha ou para além dela capaz de deslumbrar ou fazer descobrir o lado interessante e escondido dos  não góticos?
  não sei.
  mas também não me interessa. 
  
  eu gosto de gótico(s). gosto de lojas góticas, onde entro e me abasteço. frequento muitos dos lugares dos góticos, onde me misturo. é o termo. aprecio o gótico na arquitetura e na pintura.  
  porém, sou colorida demais na minha essência e na minha aparência para poder algum dia ser gótica. aprecio, contudo, o sentido e estética do(s) gótico(s) e remendo nas linhas dos góticos, aqui e ali, alguns dos meus rasgões de menina bem comportada. que, naturalmente não sou.


sábado, 4 de maio de 2013

Santiago do Cacém - Sagres. A aventura do amor.

    Nada entre dois apaixonados os pode dividir.
   Uma estrada de asfalto e algum mato à mistura leva os meus dois amantes ao início da vida. Várias vezes, como se fosse a primeira. Mas são quatro os elementos que percorrem descendentemente os dois pontos no mapa. Eles e as suas bicicletas. Os alforges a romantizar o quadro já de si poético, em catarse hiperbólica que me puxa os sentidos. Estou por cá, a norte, noutro ponto do mapa, em deambulações e quadros imaginários com vários contactos à terra do romance. Para me certificar e poder viajar, também eu com eles. E sem a minha bicicleta que jamais aguentaria a jornada a que assisto, morta de inveja, roída de saudades, pois poderia perfeitamente eu ser ele, com ela, como fomos e somos muitas vezes.      
  Só quem nunca nos viu, perdidas as duas, num comboio nas linhas ferroviárias no centro de Itália estranhará esta minha divagação.


domingo, 28 de abril de 2013

otis não são só elevadores.


                                  
                                          e há encontros que parecem planeados.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

conjuga-me sem expiação


jemaa el fna marraquexe dois mil e nove.


eu espio
                            tu espias
                                              ele espia
                               nós espiamos
                                                        vós espiais
                                                                           eles espiam

segunda-feira, 22 de abril de 2013

o preto fica-lhe bem, menina.

marraquexe. dois mil e dez.
     a menina, ou a senhora, não sei, fica airosa assim, de preto. mas não é luto. é menina? há uns dias, quando a vi ali atrás, até disse ao meu filho que lhe podia ter morrido alguém. ai menina. mas não, pois não, menina? é a beleza, menina. as raparigas da idade da menina parece que ficam vaidosas com o escuro. parecem nobres, como a D. Rita da casa grande, com aqueles filhos todos. oito. loiros e de dentes muito grandes e brancos. tinham carro e tudo menina. eu tive bicicleta quando fiz vinte anos. foi uma revolução, menina. sabe lá. casei logo nesse tempo. e tivemos carro, já todos os filhos da D. Rita andavam fora. a menina que idade tem? não se importa, pois não menina? gosto muito de a ver assim, toda de preto. e não tem calor, menina? fiz um combinado com o meu homem. perguntei-lhe se eu fosse à frente dele, quanto tempo ele andava de preto por mim. ele disse-me um mês e eu disse olha, se ficar cá eu a ver-te ir, também ponho um mês. infelizmente ando eu, menina. éramos muito amigos. conversávamos muito sobre estas coisas da morte e outras. ai, menina, que falta que o meu homem me faz. e agora a fazer estas coisas todas sem ele. quer dizer, por causa dele. 

quarta-feira, 17 de abril de 2013

quid pro quo

santa helena, veneza, dois mil e sete. 
   não sabe que o fotografei, na velha Veneza, a pobre, descansada da azáfama turística, bela, bela, bela. não sabe que o fotografei porque a sua imagem chocou às minhas seis e um quarto, estática, muda, tão serena, longínqua.
  tento perceber como um pôr do sol adriático, uma esplanada vazia, um rapaz a ler e um copo de vinho tinto na mesa do rapaz a ler, fizeram desta imagem a fotografia da minha viagem.

sábado, 13 de abril de 2013

     Al Berto pouco tempo depois. mas agora os diários, os registos de parte da sua vida, desde oitenta e dois. os rascunhos, as notas, os papéis colados, a sua letra e os nomes dos amigos que identifico, muitos escondidos em letras maiúsculas seguidas de ponto. uma obra dispersa arrumada num só livro, folheado de trás para a frente,  como se a morte o sacasse  à vida e lhe restituísse a possibilidade de continuar o que era. pouco tempo depois, agora Al Berto.